Lidando com dinheiro e câmbio nas viagens internacionais

Dentre as várias dúvidas de viagem que recebo por email, Twitter, Facebook etc. está o câmbio. As pessoas me mandam mensagens pedindo minha opinião e querendo saber como lido com o assunto.
Exatamente como no tema Passaporte, câmbio e dinheiro em viagens são tópicos muito pessoais, que cada um precisa pesquisar, experimentar e fazer a sua maneira. Não acredito em uma fórmula perfeita. E também tenho certeza de que existem riscos em todas as alternativas.
O que normalmente respondo aos ouvintes e leitores é que o meu modo de pensar e agir em viagens é basicamente uma combinação do prático com o seguro. E o que significa exatamente isso no que se refere ao dinheiro?
Na verdade varia de acordo com a situação. Na Índia, por exemplo, ter dinheiro em espécie para o tipo de viagem que eu fiz era essencial. Atravessei o país de trem e precisava de liquidez ao longo do caminho. Caso algo inesperado acontecesse - e aconteceu! -, eu precisava de dinheiro em mãos para resolver o problema.
Na América do Sul eu usualmente levo uma boa quantidade de Reais que saco no aeroporto ainda no Brasil e troco pela moeda local ao chegar no país de destino. E aqui deixo a primeira dica. Não troque seus Reais por Dólares no Brasil para depois trocá-los pela moera local na América do Sul.
Duas operações de câmbio farão você perder dinheiro desnecessariamente. Não conheço todos os vizinhos do Brasil, mas nunca tive problemas para trocar Reais nas casas de câmbio aqui da América do Sul. Porém, quanto mais longe das terras sul-americanas, mais dificuldades você terá com nossa moeda. Nesse caso, prefira sempre o Dólar ou Euro.
Antes de viajar, verifique também a devolução de taxas para para estrangeiros. Você vai economizar um bom dinheiro com muito do que comprou se o país pratica esse tipo de benevolência. Mas esteja preparado para burocracias!
O mais simples processo de devolução que já utilizei foi o do Uruguai. A devolução vem no próprio cartão de crédito. Na Europa a burocracia é bem maior. Você precisará preencher um formulário e anexar as notas no último aeroporto por onde passar. Tudo isso é colocado em um envelope e despachado ali mesmo no aeroporto. Detalhes como este, portanto, também pesam na minha forma de agir.
Vários bancos fazem propagandas de entrega de novos cartões em qualquer parte do mundo no caso de perda ou roubo, mas por segurança eu gosto de variar minhas formas de pagamento. Duvido muito que eu me beneficiaria de algo assim no interior do Peru a caminho de Machu Picchu. Portanto, tenha sempre uma segunda alternativa.
Além da moeda em espécie, carrego comigo dois cartões de crédito. Um para uso cotidiano e outro que mantenho no quarto de hotel. Outra alternativa é levar também um cartão de debito estilo Visa TravelMoney ou American Express GlobalTravel Card. Em suma, tenha outros meios de pagamento como garantia para não estragar sua viagem.
E a propósito, cartões de débito internacional são uma ótima forma de juntar dinheiro para uma viagem longa ou mais cara. Pesquise com seu banco uma alternativa que lhe permita transferir dinheiro direto da sua conta corrente para o cartão. A transferência é imediatamente convertida pra a moeda escolhida no câmbio do dia e você vai acumulando na moda estrangeira.
Vá transferindo valores mensalmente e dessa forma estará criando sua “poupança" em moeda estrangeira. Evidentemente há sempre o risco de variação cambial. Então é também uma decisão totalmente pessoal. Gosto do modelo pois meu objetivo não é especulação. Quero apenas ter dinheiro poupado para uma viagem mais dispendiosa. Existem cartões de várias moedas, mas para o caso de desejar juntar dinheiro, use sempre Dólares ou Euros. Eu acumularia em Libras apenas no caso do destino ser a Grã-Bretanha.
Já o cartão de débito que você utiliza quotidianamente no Brasil não é garantido no exterior. Deveria, mas nem sempre funciona nos estabelecimentos. De qualquer forma, entre em contato com seu banco antes de viajar e solicite o desbloqueio. Mesmo que não possa fazer compras, será possível sacar nos caixas eletrônicos da maioria dos bancos internacionais os valores em moeda local. Mas verifique antes as taxas cobradas e faça suas contas.
A propósito, lembre-se sempre de ligar para seu banco no Brasil para notificá-los de sua viagem. Informe o período e os países de destino. Além do desbloqueio, é importante que tenham o seu itinerário registrado para evitar qualquer tipo de suspeita de fraude quando você começar a usar o cartão longe do Brasil. Dependendo da situação você precisará desbloquear a opção débito e crédito separadamente.
E antes de viajar verifique como realizar uma ligação telefônica para o Brasil do país de destino e anote os telefones do seu banco para o caso de precisar realizar o bloqueio do cartão por conta de perda ou roubo. Dica! Não confie em anotar as informações somente no seu celular. Caso venha a ser roubado, muito provavelmente levarão o aparelho telefônico também.
Essas são algumas dicas e sugestões, porém como mencionei no início do texto, cada um precisa encontrar um equilíbrio entre o prático e o seguro. Experimente um método diferente a cada viagem até que chegue a uma situação confortável para você e leia bastante sobre o assunto em fóruns e sites especializados antes de viajar.